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Auditoria do Balanço Social. (Continuação)
Cesar Eduardo Stevens Kroetz (cesark@unijui.tche.br)*

4. MODELO DE AUDITORIA DO BALANÇO SOCIAL

Como mencionado anteriormente, o modelo de Auditoria para o Balanço Social deve preocupar-se em conhecer o ambiente endógeno e exógeno da organização, que interfere no processo de gestão. O auditor, na condição de avaliador, constrói uma visão global da entidade calcada na sua experiência profissional e nos levantamentos preliminares dos controles em relação aos ambientes citados – principalmente indicadores dos controles internos existentes.
Nesse ponto, reforça-se que o conhecimento das políticas de gestão, dos objetivos organizacionais e da estrutura de controle interno e sua relação com o ambiente externo, formam o cerne das informações necessárias ao auditor ou seja, esses sistemas constróem o conjunto de controles internos, os quais são objeto de avaliação, na atividade de auditoria e, quanto maior o grau de confiança depositado no sistema de controle interno, menor será a necessidade de coleta de evidências e menor a extensão dos procedimentos que o auditor terá de aplicar, a fim de certificar-se a conformidade do sistema de gestão. Baseando-se sempre em sua experiência como profissional independente e com qualificação para tanto.
Assim, o conhecimento dos controles internos associado à influência do ambiente externo, proporciona ao profissional de auditoria, condições de formar seu programa, dentro dos padrões de qualidade, e conseqüente confiabilidade, utilizando partes da população - amostragens.

5. FASES DO MODELO DE AUDITORIA DO BALANÇO SOCIAL

A) PLANEJAMENTO

O plano decorrente do processo de planejamento da auditoria, descreve com pormenores, os objetivos do trabalho, o estudo e a avaliação dos controles internos, as técnicas e os vários procedimentos a seguir, bem como a responsabilidade de cada componente da equipe, quando o trabalho é em grupo.
Para a elaboração de um bom planejamento, o programa de auditoria deve basear-se em um sistema particular de informações do cliente (pasta permanente e corrente), nos controles internos e na análise do ambiente.
O planejamento é essencial para o êxito da auditoria. É importante que as pessoas que organizam e executam o trabalho de auditoria compartilhem da visão global do processo de auditoria: seus objetivos, seus métodos e sua relação com as políticas, as estruturas e os recursos das entidades.
Esse planejamento deve, de preferência, ser descrito detalhadamente e apresentado a alta direção e para todos os envolvidos no processo.
Além disso, é importante salientar que a auditoria só será eficaz na medida que existir o comprometimento da alta direção com o programa, aceitando sua metodologia e concordando com a independência dos auditores em relação às atividades auditadas.
Apresenta-se a seguir algumas fases entendidas como fundamentais no processo de planejamento da atividade de auditoria:

1º fase – definição dos objetivos da auditoria do balanço social.
Têm-se abaixo relacionados alguns objetivos da Auditoria do Balanço Social, podendo outros serem anexados se observadas as peculiaridades da atividade, a experiência do profissional, o interesse do cliente etc.:
a)comprovar o grau de cumprimento das disposições legais, no âmbito social e ecológico existentes, tanto internas como externas;
b)avaliar o grau de eficácia social da auditoria interna, quanto a seus efeitos sociais internos – clima, cultura, atitude face à auditoria interna – resposta à demanda social de auditoria interna;
c)avaliar a eficiência da organização na execução de suas atividades, relevando os aspectos sociais e ecológicos;
d)identificar o grau de comprometimento do quadro funcional com a missão, políticas e objetivos organizacionais; e,
e)formular recomendações e propostas de melhorias realistas e operativas, que conduzam à superação das limitações detectadas.
Com base nesse objetivos é possível projetar todo o processo de planejamento da atividade de auditoria, uma vez que a execução do trabalho deverá atender, primordialmente, a essa intenção inicial, traduzida em objetivos.

2ª fase – avaliação do sistema de controle interno
Nessa fase, procura-se avaliar o grau de confiabilidade do sistema de controle interno, pois é essa avaliação que irá proporcionar subsídios para o auditor planejar as demais etapas pertinentes a atividade de auditoria.

3ª fase – identificação dos pontos de controle
Com base da avaliação do sistema de controle interno e na experiência pessoal, cabe ao auditor eleger quais os pontos de controle e, conseqüentes, pontos de auditoria, a serem revisados. Esses, servirão de parâmetro para a formação do seu relatório de opinião, pois os pontos trilhados, identificados, revisados e avaliados demonstrarão a conformidade ou não dos fenômenos ocorridos na gestão.

4ª fase – determinação das técnicas a serem aplicadas
A escolha das técnicas e dos procedimentos adequados determina o êxito do trabalho do auditor, uma vez que sua correta aplicação é requisito para obter um trabalho eficaz e eficiente. Portanto, definidos pelo auditor, bem como a natureza, a extensão, a profundidade e a oportunidade de aplicação.
São utilizados protocolos ou listas de verificação detalhadas, previamente adaptadas, se já existentes, aos prováveis problemas de uma determinada atividade, com o intuito de assegurar a cobertura completa de possíveis áreas problemáticas. São usadas técnicas de questionários e entrevistas diretas para coletar informações. Manuais de operação, registros, relatórios para entidades externas e outros documentos administrativos são minuciosamente examinados; fazem-se tentativas no sentido de averiguar se os procedimentos são seguidos pelos funcionários (teste de observância).
Às vezes, são elaborados fluxogramas dos processos da fábrica, que facilitam a tarefa de avaliar se os controles exercidos pela administração são adequados. Os auditores também se ocupam da segurança, o que inclui equipamentos de segurança dos operários e planos de emergência. Barulho, poeira e odores, que podem afetar tanto os funcionários como os vizinhos a fábrica.
Especificamente, na auditoria do balanço social, é possível utilizar-se as técnicas de:
1. Aplicação de questionário;
2. Realização de entrevistas;
3. Montagem de cenários;
4. Simulações;
5. Amostragem estatística.

5ª fase – estabelecimento dos procedimentos
Os procedimentos são um conjunto de verificações técnicas que permitem ao auditor realizar seu trabalho e colher evidências ou provas substanciais a formulação de sua opinião sobre o objeto de exame.
Para avaliação do balanço social, os procedimentos procuram confirmar o cumprimento das(os):
a)políticas;
b)objetivos;
c)estrutura organizacional;
d)parâmetros externos;
e)saúde, da prosperidade e da continuidade da organização.
Essas listagem é identificada no exame preliminar (entrevista com os auditados) ou seja, na primeira fase do planejamento.
Os teóricos em auditoria, trazem como principais procedimentos a serem adotados, os abaixo descritos. Os quais são, na grande maioria, aplicáveis à auditoria do balanço social, atendidas às devidas peculiaridades:
1.Exame físico;
2.Confirmação com terceiros;
3.Conferência de cálculos;
4.Exame documental original;
5.Exame de escrituração contábil, social e fiscal;
6.Exame dos registros auxiliares;
7.Revisão analítica;
8.Observação;
9. Visita “in loco”.

Na verdade, os procedimentos representam as tarefas a serem executadas durante o trabalho de auditoria e na realização dos exames, objetivando a obtenção/coleta de evidências e provas de auditoria. Eles são descritos em termos genéricos e podem ser modificados de modo a adaptarem-se a um trabalho específico de auditoria. Cabe ressaltar que nenhum procedimento substitui a observação pessoal do auditor, tendo ele presenciado e comprovado pessoalmente os eventos auditados, bem como sua vivência com o ambiente auditado e sua experiência pessoal.
Quando adequadamente planejados, os procedimentos de auditoria possibilitam ao auditor garimpar, coletar e avaliar as evidências que venham respaldar sua opinião. Os exames e as avaliações das evidências são procedimentos fundamentais para a formação da opinião pelo auditor.
Nos trabalho individuais ou em equipes de auditoria, costuma-se usar protocolos, questionários, entrevistas, listas de verificação e outros recursos para planejar todo o processo. Grande parte da atividade do auditor e/ou equipe consome tempo com: entrevistas, verificação de registros, vistoria de instalações, perícias etc. O tempo necessário para essas tarefas deve ser provisionado no orçamento de auditoria. Dependendo da especificidade da atividade a ser avaliada, deve o auditor utilizar especialistas com o intuito de proporcionar maior confiabilidade ao trabalho executado.

6ª fase – revisão do plano global, antes da implementação
A última etapa a ser analisada refere-se à revisão do plano de auditoria. Antes de implementar o programa cabe discutir todo o processo de planejamento atentando para possíveis desvios e/ou lacunas não identificadas até o momento. Esse trabalho deve ser feito pela equipe em forma de reuniões e discussões objetivando qualificar o escopo do trabalho a ser realizado (processo de validação). Após revisto inicia-se o processo de auditagem dos pontos preestabelecidos na fase de planejamento.
Importante ressaltar que o plano, mesmo após ser considerado pronto para a implementação pode sofrer alterações, oriundas de fatos relevantes que possam vir a ocorrer na execução da atividade.

B) EXECUÇÃO (DESEMPENHO)

O processo de auditoria, constitui o próprio desempenho dos trabalhos de auditoria e abrange os aspectos de: planejamento, execução, controle e comunicação dos seus resultados e avaliações. Quando o trabalho é realizado em equipe, se faz necessário e salutar o constante monitoramento por parte do auditor responsável.

C) AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO

A avaliação examina os aspectos da eficiência e da eficácia antes, durante e após a fase da aplicação dos processo de auditoria ou seja, do desempenho dos trabalhos.
Busca-se, nesse instante, o exame da qualidade da auditoria, em termos de eficiência e eficácia ou seja, procura-se demonstrar que a atividade de auditoria deve seguir determinados padrões de qualidade, com o intuito de garantir a confiabilidade, bem como gerar um maior número de informações, que possam agregar valor ao sistema organizacional, servindo desse modo, aos seus propósitos e contribuindo para a sociedade.
É possível avaliar-se o processo de auditoria utilizando formas de mensurar a qualidade da auditoria, apresentando balanços que demonstrem o quanto foi investido na área e o seu retorno ou benefícios sociais (análise de custo/benefício). Podendo ser esse balanços comparados com indicadores de produtividade, oriundos da atividade desenvolvida, também por meio da construção de indicadores próprios como horas trabalhadas por pontos de controle investigados, entre outros parâmetros, os quais servirão de base para a análise do trabalho realizado.
Sinteticamente, demonstra-se que cabe ao auditor, otimizar a atividade desenvolvida, apresentando aos auditados o resultado de seu trabalho, tanto em nível de eficiência, eficácia e produtividade.

D) COMUNICAÇÃO DOS RESULTADOS

No decorrer da auditoria, são transmitidos à administração relatórios provisórios para comentários, discussão e contribuições. Esses constituem a base para o relatório final, apresentado na conclusão da auditoria; tais relatórios fornecem uma avaliação da observância da entidade às normas pertinentes, bem como recomendações para as áreas problemáticas que exigem atenção.
Segundo, Yoshitake (YOSHITAKE, Mariano. Metodologia de Auditoria Interna. Notas de Sala de Aula. Salvador Agosto/1998.), o processo de auditoria consiste em formular conclusões sólidas sobre os resultados obtidos no decorrer dos trabalhos e emitir recomendações e propostas de ação orientadas à melhoria das disfunções detectadas. As recomendações serão operativas, claras, compreensíveis e realistas, e aplicadas pelos responsáveis da entidade e, nunca, pelo auditor.

E) EXPERIÊNCIA (FEEDBACK)

A término de cada trabalho, acrescenta-se ao cabedal de conhecimentos do auditor, mais uma gama de informações que, por sua vez, servirão de base para novos trabalhos, ampliando, dessa forma, a experiência do profissional. Tais experiências, numa visão sistêmica, podem ser compreendidas como a retroalimentação, onde novas informações foram agregadas e serão utilizadas em programas posteriores, permitindo uma melhor percepção e assimilação de novas situações, ampliando seu horizonte profissional.
A título de sugestão, apresenta-se a seguir, graficamente, o modelo de auditoria abordado no presente estudo:

Figura 2 - Modelo de Auditoria do Balanço Social.

6. CONCLUSÕES

Uma entidade constitui-se baseada em uma idéia inicial, oriunda da vontade individual ou coletiva. Sua finalidade básica é gerar resultados positivos, financeiros e sociais. Numa visão sistêmica observa-se que a entidade é um agrupamento de recursos (pessoais e impessoais) interdependentes e interligados, intencionalmente, com objetivos comuns, formando um contrato conjunto entre as várias partes.
Por tratar-se de um contrato, os envolvidos no processo reconhecem a necessidade de transparência em todos os atos implementados pela gestão. Surge assim, o Balanço Social, uma demonstração que vem complementar o sistema tradicional de informações contábeis e clarificar o processo de gestão quanto aos fatos relevantes nas áreas social e ecológica, ou seja, os gastos e as influências que a célula social exerce/recebe e poderá exercer/receber em relação os ambientes sociais e ecológicos.
Por ser uma demonstração direcionada para os mais diversos usuários da Contabilidade, principalmente, para a sociedade, o Balanço Social necessita de uma metodologia especial de auditoria, transformando-se em um instrumento de apoio para a tomada de decisão, consubstanciado na fé pública do auditor.
Assim, a Auditoria do Balanço Social avalia as áreas de responsabilidade social e ecológica da entidade. E, tem como objetivo verificar a conformidade da gestão e identificar os pontos fortes e fracos, as ameaças e as oportunidades que se apresentam, com o intuito de construir um relatório de opinião, capaz de proporcionar subsídios para a tomada de decisões e para o estabelecimento de um plano estratégico de desenvolvimento da responsabilidade social e ecológica da entidade.
Na verdade, ficou no passado, a visão de que a Auditoria é apenas uma atividade mecânica e técnica. A função do auditor é reconhecida como positivamente orientadora para as decisões gerenciais, transformando-se numa tecnologia capaz de não somente avaliar, mas emitir relatórios de opinião que agreguem valor a organização, contribuindo definitivamente, para a prosperidade de micro sociedade, que é a entidade auditada.

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